Progamação em Jogo: o telespectador segipano é um ilustre (des)conhecido das emissoras locais?

parte final

4 - O telespectador sergipano: um ilustre desconhecido.



Como podemos perceber, nos últimos vinte anos, com os processos se consolidação de grandes redes, presentes em quase todos estados a televisão passa a exercer um papel muito influente no cotidiano. A homogenização de conteúdos a partir do eixo Rio – São Paulo, acaba criando uma série de produtos culturais para serem consumidos. Em alguns momentos, ela apropria-se de elementos existentes nas diversas culturas regionais, longe do centro transmissor ( Sudeste ) e os submete à lógica de mercado inerente à sua produção.


É interessante refletir que a pretensão da mensagem unidirecional própria dos centros emissores, ou seja, do lugar de onde flui a informação, nem sempre é assimilada, como esperado, no lugar de recepção, onde a informação é ressignificada de acordo com suas particularidades. Aí podemos perceber que a certeza da homogeneidade dos produtos culturais é contraposta à heterogeneidade de quem a consome. Neste sentido, poucos estudos procuraram saber como os sergipanos assimilavam estas mensagens.

Desde que o primeiro programa de TV foi transmitido e gerado em Sergipe em 1971, até hoje, pouco se conhecesse a respeito das relações cotidianas, que os sergipanos criaram com esse veículo. Mesmo a respeito das emissoras de TV aberta, poucos estudos existem com o intuito de perceber, da maneira mais profunda possível, que critérios iguala ou diferencia o telespectador sergipano dos demais. A maioria das pesquisas existentes no decorrer dos anos, foi feita principalmente para atender necessidades de mercado das emissoras que precisavam comercializar seus espaços publicitários. Que impactos a implantação da TV trouxe para a sociedade sergipana e que relações ela estabeleceu com a cultura local ao longo dos anos, praticamente são ainda pouco estudados pela comunidade acadêmica e até mesmo pelo mercado.
Como durante a maior parte do tempo o modelo de televisão aberta esteve baseado em um paradigma de grandes redes e de comunicação de massa que “impunha um cardápio” de opções com o objetivo de vencer a disputa pela audiência por meio da homogenização de seus públicos, os estudos a respeito de gostos e de interesses do telespectador eram feitos nos grandes centros emissores. Pouco interessava para o mercado de Televisão saber se em Sergipe o telespectador é mais interessado em programas educativos que em novelas, já que diante da audiência geral da rede eles eram uma fração numérica muito pequena. É interessante notar que ao que parece, o mercado de TV sergipano observava a tendência massificante como algo bastante natural.

Assim como vem acontecendo mundialmente e nos demais estados do país, em Sergipe a televisão passou e está passando por transformações impulsionando mudanças. Não podemos deixar de mencionar que a introdução do controle remoto na década de 80 trouxe uma nova categoria de telespectador : o zappeador. No entanto, que estudos foram desenvolvidos preocupando-se em desvendar que características tem o “zappeador sergipano?”.
Pouco se sabe a respeito do comportamento da audiência e do telespectador do estado neste novo momento em que as Televisões Fechadas ganham espaço no mercado e trabalham com os conceitos ligados a segmentação do público. As informações ainda estão engatinhando. Porém, pelas próprias características do veículo, o receptor dos conteúdos passa a ter mais importância. Daí a necessidade de conhecer as características deste ilustre desconhecido o telespectador das emissoras de TV sergipanas. Qual o seu perfil? Quantos possuem TV a cabo ou via satélite? Qual a porcentagem deles que assistem programas locais? Qual a freqüência com que assistem estes programas? O que os atrai na programação local? Quais os programas locais que assistem ou conhecem?

Comentários