A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) COMO FATOR DE INCLUSÃO DOS SURDOS.
“Foi comprovada a incapacidade da escola para educar o surdo nos moldes convencionais, devido a sua vocação para a permanência dos processos pedagógicos, sendo constatado que a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) é o recurso inicial necessário para a verdadeira emancipação dos surdos e sua inclusão social.”
(Souza, Verônica dos Reis Mariano, Salvador 2007)*
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é um poderoso instrumento de inclusão social das pessoas surdas. Dado que a linguagem constitui um processo determinante para o desenvolvimento da cognição e da consciência, o sujeito surdo com certeza atravessa sérias dificuldades em construir conhecimentos e perceber o mundo, visto que os contextos sociais onde comumente estão inseridos, família e escola, usam uma língua falada. Este fato faz com que os surdos, em grande maioria, se sintam como estrangeiros em seu próprio país. Assim, a LIBRAS mostra-se uma ferramenta decisiva na elaboração das formações discursivas dos surdos, pois os possibilita maior entendimento sobre a realidade e ajuda na constituição da identidade desses indivíduos.
Ao longo da história a falta de compreensão de que a comunidade surda possui uma língua que serve como instrumento eficaz para facilitar o processo de aprendizado entre seus integrantes dificultou e atrapalhou a construção de conhecimentos. Desta forma eram reforçado e acentuando aspectos preconceituosos que impediam a interação, a comunicação e o respeito às diferenças entre surdos e ouvintes. O reconhecimento da LIBRAS ajuda a retirar muitos desses obstáculos de aproximação e socialização coletiva entre os diferentes, derrubando o paradigma que mais alimentava as posturas discriminatórias e estigmatizava os surdos como pessoas com uma menor capacidade intelectual que as pessoas ouvintes. Ela nos faz perceber que os surdos sempre foram capazes de desenvolver ferramentas discursivas para descrever situações, contextos de vida, emoções, etc...
Com a língua, passa também a ser estimulada e a existir uma melhor interação e comunicação dos surdos de diferentes partes do país. Rompendo o isolamento em que viviam fortalecendo laços sociais e trazendo à tona uma noção de comunidade que não existia anteriormente. Além de representar uma conquista para surdos e ouvintes que sempre lutaram ao lado dos surdos para que ela fosse reconhecida por meio de um marco legal é um estímulo para novas conquistas e ampliação dos horizontes para surdos e ouvintes. O respeito a esta língua significa o reconhecimento de que esta é a forma mais próxima da natureza do indivíduo surdo brasileiro. Preservá-la como meio de expressão da comunidade surda é possibilitar que diversas pessoas se apropriem e internalizem conhecimentos, modos de ação, papeis e funções sociais que sem a existência desta língua eles jamais poderiam acessar.
LEIA AMANHÃ 16.12.2009 A SEGUNDA E ÚLTIMA PARTE
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